Fim de semana cheio, sem vontade e sem paciência de contar tudo aqui.
Não tenho limites, mas tenho olhos e ouvidos atentos ás pessoas que estão ao meu lado. Em uma madrugada de chuva qualquer, em um boteco qualquer eu vi, aquela mulher quase invisível apesar de todo o seu capricho em se arrumar. Sentada, sozinha no balcão, arrumada como quem espera algo incrível acontecer, com um copo de cerveja na mão, como quem sabe que a realidade é essa e não é possível fugir.
Vi uma Cinderela perdida na madrugada chuvosa, uma Cinderela que já passava da idade e da hora de voltar a vestir seus trapos, mas que se recusava a parar de sonhar. No leve torpor do álcool ela falava como quem quer ser ouvida, mas em um tom tão baixo que era impossível ouvir, falava com pompa, com o rosto erguido, mas no alto de seu sonho confessava que era só uma carroceria e que a garrafa que estava em nossa mesa valia muito dinheiro. A conversa não avançou, não havia do que falar, e pouco depois de pedir um cigarro foi embora na chuva, sem que ao menos eu a visse sair ou percebesse sua ausência repentina. Tinha se entregado a chuva, permitiu que a chuva levasse seus sonhos e sua fantasia de Cinderela. Será que ela esperava por alguém naquele balcão? Será que ela esperava alguma coisa da vida?
A mulher da outra mesa estava sonhando mais profundamente, mesmo quando seu companheiro ria alto e a chamava de "amor" ela não movia os olhos vermelhos e embriagados, talvez também sonhasse em ser Cinderela, talvez apenas sonhasse em ser quem foi um dia, talvez nem percebesse mais o que significava ser chamada de "amor" em uma realidade tão sem amor.
A noite terminou dentro de um táxi deixando aquele boteco para trás, mas essas mulheres insistem em me perseguir. Estou libertando-as aqui, mesmo que jamais saibam disso, alguém um dia, olhou para elas.
Não tenho limites, mas tenho olhos e ouvidos atentos ás pessoas que estão ao meu lado. Em uma madrugada de chuva qualquer, em um boteco qualquer eu vi, aquela mulher quase invisível apesar de todo o seu capricho em se arrumar. Sentada, sozinha no balcão, arrumada como quem espera algo incrível acontecer, com um copo de cerveja na mão, como quem sabe que a realidade é essa e não é possível fugir.
Vi uma Cinderela perdida na madrugada chuvosa, uma Cinderela que já passava da idade e da hora de voltar a vestir seus trapos, mas que se recusava a parar de sonhar. No leve torpor do álcool ela falava como quem quer ser ouvida, mas em um tom tão baixo que era impossível ouvir, falava com pompa, com o rosto erguido, mas no alto de seu sonho confessava que era só uma carroceria e que a garrafa que estava em nossa mesa valia muito dinheiro. A conversa não avançou, não havia do que falar, e pouco depois de pedir um cigarro foi embora na chuva, sem que ao menos eu a visse sair ou percebesse sua ausência repentina. Tinha se entregado a chuva, permitiu que a chuva levasse seus sonhos e sua fantasia de Cinderela. Será que ela esperava por alguém naquele balcão? Será que ela esperava alguma coisa da vida?
A mulher da outra mesa estava sonhando mais profundamente, mesmo quando seu companheiro ria alto e a chamava de "amor" ela não movia os olhos vermelhos e embriagados, talvez também sonhasse em ser Cinderela, talvez apenas sonhasse em ser quem foi um dia, talvez nem percebesse mais o que significava ser chamada de "amor" em uma realidade tão sem amor.
A noite terminou dentro de um táxi deixando aquele boteco para trás, mas essas mulheres insistem em me perseguir. Estou libertando-as aqui, mesmo que jamais saibam disso, alguém um dia, olhou para elas.


6 Comments:
Uma vez passei por algo semelhante e é incrivel como, de certa forma, me senti desiludida com o mundo... as coisas duras que há no mundo.
As vezes é melhor nos mantermos num mundo de doces e suaves ilusões para não enlouquecermos e nos mantermos felizes
Beijos
Observar essas coisas é importantes para tomarmos cuidado com nossa própria vida. São historias breves, que vão nos fazer pensar e pensar, e então virão outras chuvas e outros botecos, com outras cinderelas e principes encantados, e nos farão pensar de novo... e assim, aperfeiçoamos, e criamos nosso mundo de fantasia, e tentamos colocá-la na realidade... e melhor é tentar sempre...
Sabe, eu também já me senti como elas, não acho que seja ruim sonhar, mas sonhar demais as vezes nos deixa "Iludidas" demais... Quando realmente percebemos que não vai acontecer nada do que esperamos, as vezes dá mesmo vontade de se entregar a chuva...
uau... seu fds foi real ou um sonho?? agora eu sei pq vc naum queria me explicar!! rsrs
Só você para ter sensibilidade de notar o que ninguém fora capaz, doce Jéssica.
De fato, a noite esconde muitos fantasmas e sonhos perdidos... às vezes, alguns destes também são alguns dos nossos.
C'est La Vie
Simples e tocante, ou seja: perfeito. Parabéns.
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